- Quando seu irmão chegar diga a ele que vá à casa dos Strong Holds pegar minha cesta de frutas que encomendei da senhora Amy. – Ufa! Era somente um recado, ainda bem que não me pediu para sair de casa, se isso acontecesse acho que dormiria na rua mesmo de tão exausto que me sentia naquele momento.
- Está certo mãe, pode ficar tranquila. – Respondi aliviado.
Mais tarde meu irmão David chegava da casa de seu amigo, quando me viu ficou surpreso e feliz. Meu irmão estava diferente, pressentia que tudo a minha volta estava realmente mudado, mesmo assim continuava a ignorar meus pensamentos secos e sem fundamentos. Ficamos tão empolgados ao nos revermos que esqueci o recado que deveria passar a ele. Enquanto me deitava na minha velha e querida cama, David contava-me sobre sua nova namorada – Nem liguei muito – E naquele instante sentia-me a flutuar em meu leito amado e acabei vencido pelo cansaço, nem mais ouvia o que ele dizia, acabei dormindo profundamente.
No dia seguinte acordei super disposto e contente, sentia-me leve, como se tivesse tirado um peso das costas. Tomei banho e vesti-me com uma camisa branca e uma bermuda abaixo do joelho. A casa estava silenciosa, tranquila demais e chamei por todos e ninguém respondia aos meus chamados, por um segundo senti um calafrio tenebroso e misterioso, continuei andando observando tudo a minha volta, desconfiado de algo que nem se quer imaginava ser. Acabei encontrando um bilhete no criado mudo que estava na sala e comecei a ler.
“Agnos meu irmão, o que houve com você? Bati tanto em sua porta para acordá-lo e nem me respondeu. É a nossa mãe ela passou mal e acabei chamando um vizinho para levá-la ao hospital, mais tarde ligo para te dizer onde estamos, por favor, mantenha calma!”
Ao ler o tal bilhete cuja descrição fez-me sentir culpado e irresponsável, me perguntei várias vezes porque não acordei quando me chamaram e o que aconteceu com nossa mãe. Depois de um tempo David me ligou e informou-me onde estavam. Não pensei duas vezes e fui quase que instantaneamente ao hospital vê-la. Quando cheguei meu irmão me esperava na porta, seus olhos estavam avermelhados e úmidos, e assim que me avistou sua face transparecia um temor – Me pergunto o que há de errado – Ele começou a me explicar o que estava acontecendo, a única coisa que ele sabia de real importância era que nossa mãe estava com um problema sério, porém não tínhamos ideia da profundeza disso. David me guiou até nosso vizinho, conversei com ele, nesse momento me dizia que é de crucial importância conversar comigo a sós, falei para meu irmão esperar no banco enquanto ele me esclarecia os fatos.
- Desculpa Agnos, percebi sua conversa no telefone e de cara já sabia que se tratava de David, então eu... Resolvi chamá-lo. – Ela parecia nervosa – Mais cedo fui ver uma amiga minha que mora perto daqui, na volta acabei vendo o carro da minha mãe, quando cheguei perto David estava saindo do carro, então fiquei curiosa e esperei ele se aproximar, foi quando me contou que você tinha voltado de viagem e que logo depois sua mãe passou mal, ele me convidou a entrar então antes que ele entrasse pedi que fizesse um favor pra mim. – De repente não estava mais furioso com ele, porém estava ficando comigo mesmo, por não ter perguntado a ela sobre isso quando me contou que tinha falado com David – Pedi a ele que fosse numa livraria comprar um livro, só não contava que fosse demorar tanto, ai você atendeu a um telefonema, e em seguida fui apressá-lo antes que começasse a chover, desculpa se não falei nada antes e por sair sem te avisar.
- Tudo bem, é compreensível, só que da próxima vez não deixe de ocultar certas informações.
- Prometo – Ela segurou minha mão e me deu beijo no rosto, interpretei que essa atitude foi para compensar as minhas preocupações. Quando olhei para David ele estava dando um sorriso malicioso, como se aquilo significasse algo a mais, então olhei para ele de forma seria, não sei por que mais reforçou seu pensamento, não foi difícil saber, pois ele fez um coração usando os dedos, isso sim me irritou, Muriel percebeu e começou a rir.
- Seu bobo! – Disse ela para meu irmão, sacudindo a cabeça.
Saímos do quarto onde descansava minha mãe. Ficamos perto do balcão da recepção e conversamos durante bastante tempo, e David não parava de tirar brincadeiras sobre eu e ela, até que se cansou e retornou para o quarto, assim que ele saiu começou a chover.
Estava anoitecendo, a chuva estava mais forte, Muriel estava preocupada, ela queria voltar para casa só que essa chuva não colaborava. Ela tentava ligar para sua mãe, mas o sinal não estava forte o suficiente para conseguir comunicar-se com seus pais.
- Quer que eu pague um taxi para você? – Sugeri a ela.
- Não, obrigada. Vou esperar mais um pouco, pode ser que passe a chuva e talvez eu consiga ligar para minha mãe. – Respondeu bastante otimista.
Olhei minha carteira, suspirei e agradeci que ela não tivesse aceitado a minha proposta, com o dinheiro que tinha não dava para nada, somente para ela olhar a placa do carro, da próxima vez vou verificar antes de fazer uma sugestão que envolva meu dinheiro.
A chuva passou, e ela ia para casa, David a acompanhava, novamente pedi a ele que não dormisse em casa, e que fosse para casa do senhor Minus, pai de Muriel, seria bom, pois assim ele estaria mais seguro do que dormindo sem ninguém em casa e ele teria o que comer também. Ele concordou e foi.
Três dias se passaram, era o aniversário dela e nada mudava. Comprei seu presente, um belo vidro de perfume, baseando-me no seu gosto para presentes. Os médicos estavam tentando ser otimistas ao falarem comigo e eu mais ainda. Não quero aceitar a pior das hipóteses. Ela estava tão bem quando cheguei. Aceitar seu estado de saúde não era meu objetivo, assistir minha mãe morrer nesse estado não era uma opção. Novamente recordei-me sobre seu silêncio antes de tudo isso acontecer, e novamente a vontade de saber sobre o que ela queria dizer-me tomou conta de mim. Senti minhas mãos gelarem, e minhas pernas tremerem, um frio tomou conta do meu corpo, estranhei tamanha intensidade de ar gélido em volta. Chamei uma enfermeira e pedi que aumentasse a temperatura do ar condicionado, pois estava exagerada a temperatura. Ela olhou e disse não ter nada de errado com a temperatura e que estava no padrão. Estranhei os fatos e resolvi sair do quarto. David me ligou e disse que não poderia ir visitar nossa mãe hoje, pois havia um compromisso importante que marcou com sua namorada. Não discordei dele. Muriel surgiu no corredor junto com sua mãe, Amy Strong Hold, nunca esqueci seu rosto era bela como a filha, seria um pouco de exagero falar, mas as duas tinham uma beleza quase que divina. Recompôs-me imediatamente, acenando para elas. Amy aproximou-se de mim de uma forma tão delicada que parecia uma celebridade – De fato ela era uma celebridade – Pois chamou atenção de todos em sua volta.
- Mãe, você chama atenção demais – Cochichou Muriel.
- Filha você quer o que? Que ande feia e mal produzida por ai? – Ela realmente divertia-se com a situação. E sinceramente, mesmo que andasse feia e mal produzida, ainda estaria linda, digo o mesmo de Muriel.
- Não concorda Manangel? – Perguntou ela citando meu sobrenome.
- S-Sim, senhora Amy. – Fiquei nervoso do nada, que patético.
- Você o deixou sem graça mãe! – Reclamou Muriel.
- Tudo bem querida, ele só estava sendo educado. – Na verdade fui hipnotizado por elas – Meu filho... Sua mãe está bem – Meu raciocínio estava lento e não sabia se era uma pergunta ou uma afirmação.
- Está? – Perguntei pateticamente – Ah... Está sim – Meu comportamento era indiscutível, perguntei-me se estava alucinado.
- Já vi que você não está descansando, afinal não está prestando atenção na minha pergunta. – Ela estava certa, fazia tempo que não dormia bem – Deixe-me ser breve, trouxe isso para sua mãe – Era uma caixa de bombons – Eu mesma preparei, já que hoje é o aniversário dela.
- Obrigado.
Em seguida ela despediu-se de mim e de sua filha, e por incrível que pareça uma enfermeira tirou foto com ela no final do corredor, isso sim foi estranho. Muriel estava ali, olhando para mim, contemplando minha face de espanto com um sorriso delicado. Passamos um tempo na praça jogando conversa fora, felizmente não fez tempo nesse dia, seria um desastre acabar com o sol radiante que fazia. Depois do passeio, voltamos ao hospital. Simplesmente, me senti cansado e feliz por esse dia com Muriel. Ficamos conversando mais um pouco, caminhamos até uma pequena sala que ficava a dois quarto de Raquel, sentei numa poltrona e relaxei. Uma bela canção dominava minha mente, calma, envolvente, o me fazia desejar o sono – Fazia um tempo que não encarava a vontade de dormir, por conta das minhas angústias – mais que qualquer coisa, enquanto fechava meus olhos, Muriel fitava-me plenamente. Adormeci.
No dia seguinte, acordei sentado ao lado da cama onde estava minha mãe e a coisa mais estranha era que não me lembro de ter dormido ao lado dela. Recebi a minha primeira ligação do dia – David – “visitar um amigo nosso” falei surpreso. Pensei um pouco sobre o assunto e acabei indo.
Estávamos indo à casa de Ruperth, um grande amigo meu e do meu irmão, seria bom revê-lo. – Apesar de sentir algo estranho dentro de mim quase que uma repulsa dentro de meu peito... – As semanas passavam devagar demais e minha agonia aumentava, Pois Raquel não melhorava em nada e realmente seria bom distrair minha mente. Seria mesmo?
Muriel não veio nesse dia, não ligou, nem deixou recado. Era estranho, pois já sentia sua falta constantemente, era meu porto seguro e quando estou ao lado dela meus problemas ficam amenizados, sinto-me melhor.
David estava empolgado com nosso dia, Ruperth era uma boa distração – Apesar da situação com relação a nossa mãe – muito boa para ele. Depois quando menos esperávamos David recebeu uma ligação.
Sua conversa não era nada traduzível. “Tudo bem...” dizia ele enquanto se distanciava da nossa presença, parecia que ele não queria que ouvíssemos sua conversa aparentemente particular. “Tudo certo... pode sim... vou esperar.” falando a cada dois segundos com frases inacabadas.
- Quem era? – perguntou Ruperth, na sua curiosidade de sempre – Namorada?
- Bem... Sim. Importa-se ela vier aqui? – Bem que ele deveria ter pedido na hora – Ela disse que precisa falar comigo.
Ruperth sacudiu a cabeça com alegria, dando plena autorização a vinda dela, era óbvio que ele queria conhecê-la, curiosidade como sempre.
Resolvi que já passara tempo demais na companhia dele e que deveria voltar para ver minha mãe. Queria muita ficar com eles e rir das bagunças, mas não poderia fingir que esse desejo fosse maior que a necessidade de ficar ao lado da pessoa que me deu a luz, minha mãe, e carinho constante.
Despedi-me deles e ao sair da casa dei de cara com a namorada de David cujo nome não me recordava naquele instante. A expressão dela a me ver foi muito, mas muito estranha, como se eu tivesse feito algo para ela de forma que a fizesse me olhar furiosamente. Deixei isso de lado talvez fosse alguma coisa de ruim que tivesse ocorrendo na sua vida. Ao entrar no carro coloquei minha cabeça sobre o volante fiquei olhando a rua em seguida como se eu esperasse um trem passar e batesse no meu carro, terminando a dor que eu sentia por dentro. Como Muriel faz falta quando sinto dor. Tenho sorte ao ter uma amiga como ela, talvez fosse um presente dos céus para consolar minha vida. Às vezes pensava que Raquel fosse somente minha mãe, como se nada fosse acontecer com ela, inatingível, uma guerreira indestrutível. Só de lembrar que ela estava num hospital deitada numa cama, sem se mexer, sem abrir se quer os olhos, me fazia sentir aflição. Sai dos meus pensamentos tristes, liguei o carro, percebi que estava quase chorando e também sabia que chorar não era uma ação a fazer. O transito era lento, e o estresse não me tomara conta nesse instante, senti um ar frio vindo de fora olhei para o céu vi que ia chover fortemente como da última vez. Finalmente estava próximo do hospital, e resolvi parar para comer alguma coisa e de preferencial uma besteira para variar. Olhei o relógio ia dar seis e meia da tarde. O tempo ficava cada vez mais úmido e com bastante vento. A meia hora do hospital, a chuva desabou de uma forma bruta, os sons das gotas fortes soavam no teto e o vidro ficou embaçado rapidamente, resolvi parar em frente a uma pequena loja de livros e esperar passar um pouco, quando ouvi alguém bater na porta rapidamente gritando meu nome, “Agnos, Agnos, abra a porta, por favor,” aquela voz era familiar, reconheci mesmo com o forte barulho da chuva a voz frágil de Muriel.
Ela estava ensopada, segurando uma sacola de plástico envolvendo alguns livros e deduzi que ela saiu da loja em que parei em frente e parecia bastante assustada com alguma coisa. A chuva passara um pouco, e Muriel estava calada e não me olhava nos olhos como antes, parecia triste e se não fosse pela chuva que tinha molhado seu rosto pensaria que ela estava chorando. Decidi deixar que ela falasse, mas nada saiu de seus lábios, liguei o carro ainda olhando seu rosto, porém sua expressão não mudava. Continuei dirigindo sem pressa e novamente a chuva voltava a engrossar e novamente me senti obrigado a estacionar, pois a visão era quase nula.
- Continue dirigindo, por favor – disse ela numa voz calma quebrando o silêncio sufocante.
Olhei incrédulo para seu rosto, era impossível enxergar algo. Ela novamente repetiu a frase só que dessa vez olhando nos meus olhos e isso sim me fez ligar o motor e continuar dirigindo no vazio da minha visão. Meus dedos tremiam de tanto frio e aos poucos minha visão adaptava-se a chuva forte e quando menos esperei estava bem em frente ao hospital. Muriel olhou para meu rosto deu um sorriso levemente forçado pedindo desculpa pelo estranho comportamento. Segurei a mão dela sugerindo que entrássemos logo, pois o frio era como leves agulhas perfurando a pele. Quando entrei pedi um cobertor a uma enfermeira, para que Muriel usasse devido a seu corpo totalmente molhado, em seguida coloquei meus braços sobre ela dando um abraço em seu corpo de lado. Apesar de tudo ela continuava firme e forte resistindo ao frio.
David me ligava nesse exato momento, falando que Ruperth o trazia ao hospital junto com sua namorada e que ia demorar uns quarenta e cinco minutos para chegaram devido à forte chuva. Ao desligar o telefone, percebi que Muriel estava conversando ao telefone que ficava na parede da recepção e pela conversa era com sua mãe com quem conversava.
Um dos médicos que cuidava de minha mãe passava pelo corredor e ao ver-me, parou imediatamente, perplexo e seus olhos de preocupação. Senti meu coração apertar, sentia que ele tinha algo a me dizer, pensei comigo mesmo: “não acredito, novamente o caso dela piorou? Será que isso nunca acaba?”. Antes que ele me disse algo vi que o pai de Muriel, Minus segurava o ombro do médico com uma das mãos pedindo com um olhar que nos deixasse sozinho. O médico saiu sem ao menos dizer uma palavra e ainda olhando para mim aflito.
- Agnos... Precisamos conversar.
Interrompi antes que ele começasse.
- Desculpe Sr. Minus, mas o que faz aqui?
Ele ficou olhando para mim, pensando um pouco em suas palavras e em seguida sentou-se e pediu que eu fizesse o mesmo. Nesse momento Muriel chega bem perto e ao ver seu pai ela recua e volta para recepção, era óbvio que ele não queria que ela chegasse perto de ouvir nossa conversa.
- Filho, desculpe por isso. Recebi uma ligação do trabalho, mas no caminho começou a chover e por coincidência parei perto daqui, então resolvi ver sua mãe, só que... – Não gostei mesmo do tom de sua voz.
Continuou ele:
- Ao chegar aqui recebi uma notícia ruim... – Novamente, sua pausa agonizante para pensar nas palavras – E decidi com os médicos que prefiro conversar com você a eles.
- O que isso significa? – Perguntei, na certeza de que ele ia dizer que o estado de saúde dela piorava.
- Bem...
O interrompi novamente.
- Se vai dizer que ela piorou, então não diga por que eu já tinha deduzido pelo olhar do médico e prefiro não ouvir isso, por favor, entenda, não quero parecer grosseiro com o senhor.
Ele continuou olhando fortemente nos meus olhos como Muriel fazia e seus lábios já não faziam média para pronunciar as palavras.
- Agnos, sua mãe faleceu. E desculpa dizer assim, sei que você não queria ouvir coisas ruins hoje, só que uma hora ou outra você teria que saber, perdoe-me se foi por minha boca, mas achei que eu seria a melhor pessoa para preparar você a ouvir a notícia.
Por um momento, minha respiração, minha alma, tudo parou, sinceramente senti isso dentro de mim, fiquei de lado respirei fundo para que aquilo não tomasse conta de mim. Olhei Muriel de longe ela percebeu meu choque e automaticamente veio em minha direção e sentou-se ao meu lado, enquanto o pai dela levantava-se dizendo que a companhia dela seria a mais viável naquele momento. Simplesmente meu chão desabou tudo parou, não ouvia mais nada além das batidas do meu coração, a única coisa que sentia, além disso, era o abraço confortante de Muriel em volta de mim, senti minhas lagrimas, cuja eu repreendi de tarde, caírem de uma só vez, preferiria que ela tivesse piorado, em vez de morrer, ao menos assim ainda estaria viva e teria chance de sobreviver, talvez... A única coisa que sentia era desespero por dentro, uma vontade de gritar, mas a presença de Muriel segurou todas as minhas reações descontroladas dentro de mim. Fiquei paralisado durante todo esse tempo sem ao menos fechar os olhos, quando David, Ruperth entravam no hospital. Levantei minha cabeça, o olhei desesperadamente e vi que o Sr. Minus já estava conversando com ele, eu não tive forças para me levantar e percebi quando David saiu perplexo junto com Ruperth. Ele já sabia... Meu irmão não ia resistir a isso, justo agora que ele passou a acreditar que ela ia melhorar que tudo ia acabar que esse pesadelo ia ter um fim. Finalmente ele sorriu hoje e o destino rouba a única esperança que ele construiu dentro de si, é totalmente injusto conosco, isso não vale.
Finalmente tive forças para sair dos braços de Muriel, levantei-me tonto, andando devagar e olhando as coisas em volta como se tudo que eu observava fosse inútil agora até o tempo não fazia sentido nesse instante continuei andando em direção a porta da frente do hospital querendo abraçar David, querendo ser o porto seguro dele naquele momento. Ele estava sentando ao lado de Ruperth e eu não via sua namorada por perto, talvez fosse melhor assim. Sentei ao lado dele, levantei o rosto dele que estava curvado para baixo. Muriel saiu e sentou ao meu lado na escada que estava coberta e enxuta, e a chuva parecia agora chorar junto comigo e com meu irmão. Ruperth levantou-se, despediu-se e foi embora. Minus chamou Muriel abriu um guarda-chuva grande e a levou para casa. Depois de certo tempo levei meu irmão para o carro, ele não dizia nada, nós voltamos para nossa casa sem sentido algum, sem alegria alguma, sem vida. Ele foi para o seu quarto e eu voltei para a sala para refletir, relaxar, chorar, ser humano. Então eu tive certeza que esses seriam os primeiros dias de nossas vidas em que teremos que aprender a viver sem alguém para nos proteger. Agora que devo protegê-lo daqui pra frente, só queria saber se saberei ser forte o suficiente para isso.